Good for Nothing!
Eu trabalhava num restaurante italiano phyno onde muita gente phyna jantava. Na época eu sofria de complexo de vira-lata pelo meu sotaque e por me sentir um peixe fora d'água naquele novo ambiente. Por isso, estava sempre híper-antenada pra fazer o meu trabalho o mais excelente possível e conquistar meu espacinho e respeito.
Eu era hostess e minha função não era nada muito desafiadora... receber as pessoas, sentá-las e ficar atenta se estavam olhando em volta procurando seu garçom.
Certa noite, numa mesa de gente chique (ou phyna), um senhor olhava em volta procurando alguém. Me aproximei da mesa e perguntei como podia ajudá-lo. Ele reclamou grosseiramente que o que ele havia “me” pedido ainda não tinha chegado. Eu, defensiva e educadamente respondi que ele não havia falado comigo, mas que eu ia buscar seu garçom prontamente. Niqui me afastei da mesa, sua esposa pediu-lhe que tivesse calma, e que a pessoa que ele havia falado tinha mesmo sido outra e completou "she 's good!”. Ele, educado as fuck, esbravejou e disse “good for nothing!”.
Aquilo me pegou de jeito. Lembra que eu já estava insegura com complexo de vira-lata e esse “good for nothing” só reforçou meu sentimento de “festa estranha com gente esquisita, eu não to legal”.
Isso aconteceu 14 anos atrás (!). Não vou dizer que afetou minha vida 100%, mas confesso que foi a maior ofensa que sofri de um estranho, e que me fez ponderar...
Em todos estes anos de reflexão, num determinado momento de frustração, sem saber que rumo dar à minha vida, querendo descobrir minha missão, até me rendi e considerei “e se eu realmente for good for nothing?”. Me perguntei se aquele docinho de pessoa, mesmo sem me conhecer, teria razão.
Por increça que parível, ao aceitar minha inutilidade, senti um grande alívio; alívio de expectativas e da pressão que nos auto-impomos de perform, de fazer acontecer, de ser alguém na vida. O alívio durou just enough time pra eu me dar conta que, cara, eu sou boa em tanta coisa, mas o que é que eu tenho pra mostrar? Pros outros, não sei, mas pra mim, sei que sou boa em criar 2 seres humanos que são HUMANOS e educados, sou boa na cozinha, na cama e no bar rindo com as amigas. Sou boa confidente e em ajudar a encontrar soluções, sou boa companheira (a julgar pelo marido apaixonado mesmo depois de 20 anos juntos), sou boa filha, boa irmã, sou boa em tratar o outro, sou boa em me recriar.
Agora penso, se eu re-encontrasse aquele senhor-cavalo eu diria a ele:
- Obrigada. Sem querer, o senhor me ajudou a perceber que, ao aceitar ser ‘good for nothing’, descobri que sou boa em muitas coisas e, no tratamento com as pessoas, sou muito melhor que você. Aqui está o seu feno. Bon appetit!
Moral da história: Quando você levar um coice, leve a ferradura como amuleto pro seu bem.
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Thank you!
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