Cantiga de Ninar (25/Set/2007)

Ter filho é praticamente nascer de novo. Você tem que aprender várias coisas que estavam longe de fazer parte da sua vida, e é um pouco surreal.


A primeira delas é aprender a dormir muito menos e interrompidamente, alimentar um ser humano que não sabe se comunicar claramente, adivinhar o que ele precisa e, apesar do cansaço, fazê-lo com boa vontade e amor.


Se você, mulher, aprendeu a fazer isso, o resto vai parecer meio fácil. Trocar fraldas 24 horas por dia, dar mama a cada 2 horas, às vezes de hora em hora, dar banho, tomar banho, comer e saber que o mundo não parou pra esperar você fazer "só mais isso".


Eu quis dar uma de super mãe e só amamento no peito. Quando não estou com o peito na boca do meu filho, tô trocando suas fraldas ou colocando-o pra dormir. Isso num dia bom. Se eu cometer a estupidez de comer algo com alho, inclua aí algumas horas de desespero, meu e dele. Ele urrando de cólica, com aquela cara de "que diabo é isso que tá me estufando" e eu com as olheiras nos pés, andando pela casa, tentando confortá-lo antes que a vizinhança suspeite de maus tratos. Já chorei também, de cansaço, frustração e pena, enquanto me xingava "Idiota, pra que você foi comer?! Não come! Nada!".


Novas lições surgem a cada dia com o crescimento do bebê e nestas horas a gente se dá conta de como e porque nossas mães são tão sábias e o quanto elas nos amam. Os pais também estão de parabéns, pois fazem sua parte sendo supportive e se tornando um coadjuvante ali. Acredito que alguns maridos apareçam com as mãos calejadas ao fim do resguardo.


Se depender só de você, deixe a casa pra lá, cuide de si, se embeleze. Faça por você,  lembrando que além de ser mãe, continua sendo aquela mulher linda que se ama.

   ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------


Um dia desses eu tava dando mamá e cantarolando baixinho pro meu filho pegar no sono. Me dei conta que tinha que aprender mais uma coisa, cantiga de ninar. 

Já há muito tempo alguém fez a observação de que cantigas de ninar são assustadoras, com a história do boi da cara preta, a Cuca vem pegar, etc. Naquela altura, pra mim, nem fazia diferença. Hoje, não sei se feliz ou infelizmente, não consigo lembrar de uma letra inteira. Devo ter bloqueado quando me dei conta que eram historinhas de horror.


Cantarolando percebi que começava com "ciranda cirandinha" e terminava com "mamãe foi passear". Não fazia sentido e até improvisando me faltavam palavras que rimassem, uma dislexia minha mesmo. Agora preciso recordar as músicas do meu tempo de infância, pra poder fazer minha própria versão não-assustadora propriamente. Até o ritmo me foge a cabeça, eh triste. Me dá uma certa pena do meu filho. Deve ser por isso que as vezes ele aumenta o choro, como num grito de socorro, "cala a porra da boca maaaaaaaeeee!".



Julian está com 2 meses e tem sido a mais incrível experiência da minha vida. O aprendizado mega-intensivo vale cada segundo e milhões de vezes mais quando eu vejo aquela carinha mais gorducha, aqueles olhinhos azuis-mudando-de-cor puxadinhos, aquele sorriso aberto LINDO... não penso ou ligo pra mais nada na vida; cansaço, fome, frustração...


Não quero nunca parar de aprender através dele e com ele. 

Eu sempre disse a minha mãe que "filho nasce pra dar trabalho", mas agora eu acredito mesmo que filho traga benefícios aos pais: o de nos manter otimistas, de mente aberta e aprendendo, mesmo que seja com alguém que não saiba ainda nem falar.


Aqui fica uma sugestão: tenham filhos, aprendam com eles e criem suas próprias canções de ninar.


(In)Joy,

https://www.instagram.com/alinegreencoaching/


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Good for Nothing!